Especialista orienta consumidores sobre os ajustes de orçamento no período de pandemia

23/09/2020

Cristiano Rodrigues, coordenador de Ciências Contábeis e de Gestão Financeira do Unipê, avalia que atual cenário de crise é tempo de readequar as finanças, economizar e renegociar dívidas

A crise econômica provocada pela pandemia do coronavírus (Covid-19) mudou não apenas a forma de as pessoas se relacionarem, por conta do isolamento social, mas também alterou os hábitos de consumo e o orçamento dos brasileiros.

Segundo o professor Cristiano Rodrigues, coordenador dos cursos de Ciências Contábeis e de Gestão Financeira do Centro Universitário de João Pessoa (Unipê), o atual cenário de crise econômica obrigou os trabalhadores e consumidores a controlarem melhor seu orçamento. Isso porque desde o início da pandemia boa parte das pessoas tiveram redução de suas rendas, o que requer uma avaliação desse momento

“O primeiro passo é reconhecer que será necessário um ajuste no orçamento financeiro e que para tanto será necessário reduzir gastos que de certa forma são considerados desnecessários. O segundo passo é respeitar as receitas; quando gastamos mais que recebemos, estamos desrespeitando as receitas gerando um problema desnecessário. Então é sempre bom realizar uma autoavaliação das contas e nos perguntarmos: ‘De fato preciso gastar nisso?’, ‘Posso esperar mais um pouco?’, ‘Está dentro do meu orçamento?’. Essas ponderações auxiliam o indivíduo a readequar suas prioridades”, destaca.

Para o especialista, essa autoavaliação também permite equilibrar as contas e entender que o País está em crise: o momento não é propício para gastos classificados como de risco pela pandemia ou desnecessários devido ao aumento do home office, como diárias em hotéis, viagem, roupas, relógios, perfumes, restaurantes e festas.

“Vivemos em um período para readequarmos as nossas finanças, economizar e renegociar dívidas. A pandemia trouxe inúmeros benefícios para renegociações dessas dívidas. Várias financeiras e empresas estão disponibilizando parcelamentos facilitados – apenas cuidado com a taxa de juros – ou quitação com um percentual bem interessante de desconto. Postergar dívidas não é uma boa iniciativa, uma vez que muito em breve será necessário o pagamento, e sem estes benefícios para quitação”, sugere o professor.

O especialista pondera que apesar de todo o cenário negativo, a pandemia deixará um legado aos consumidores quanto às finanças pessoais com uma reflexão: o necessário pode ser desnecessário. Com isso, Cristiano acredita que a saída positiva desse período é poupar dinheiro e investir. “Quando fazemos essa ação, estamos nos preparando para o desconhecido, o improvável ou inimaginável. A construção de uma reserva se tornou uma atitude de prudência para que, caso passemos por ‘turbulências’, estejamos preparados para suportá-las”, argumenta.

Assim, Cristiano Rodrigues sugere que, caso seja possível, o ideal é que 20% (percentual considerado razoável) de todas as receitas do mês sejam não só economizados, mas investidos no futuro, como no Tesouro Direto.

“O Tesouro Direto tem risco zero, tem liquidez, diversos prazos, baixo custo, fácil aplicação, e com um bom retorno de juros. Se comparado a outros investimentos, é uma boa opção para quem quer levantar uma grana extra, sobretudo, quando a dificuldade aparecer”, aponta.